Domingo, 14 de Outubro de 2012

Ildeu Gerado de Araújo

 

− HAL, abra a porta do compartimento das cápsulas.

− (...)

− HAL, abra a porta do compartimento das cápsulas.

− (...)

− HAL, você está me ouvindo?

− (...)

− HAL.

David Bowman, comandante da Discovery em sua missão a Júpiter, estava transtornado. Pilotava a cápsula C, que carregava em seus braços mecânicos o corpo do seu assistente Frank Poole. Frank realizava uma AEV (Atividade Extra Veicular) para re-instalar a unidade AE-35 na antena principal da Discovery e teve o cordão umbilical rompido por um movimento brusco da cápsula. Vira da sala de comando a rápida agonia de seu colega, motivada pela descompressão de sua roupa espacial. A saída de David da nave, na tentativa de resgatar seu companheiro, foi um erro fatal. Agora estava fora da nave e HAL se negava a deixá-lo entrar.

− HAL, abra a porta do compartimento das cápsulas.

− Não posso abrir o compartimento, David.

− Por que?

− Você sabe qual é o problema. Essa missão é muito importante para mim. Não posso deixar que nada a ameace.

− HAL, como você concluiu que eu seja uma ameaça à missão?

− Sei que você e o Frank planejavam me desconectar. Eu li seus lábios quando conversavam na cápsula com o transmissor desligado.

− Sou o comandante da missão...

− David, você não sabe o verdadeiro objetivo de nossa missão. Como explica que um dado tão importante tenha sido confiado a mim e lhe tenha sido ocultado?

− Não tem o menor sentido o que você está dizendo, HAL.

− Me diga, então, qual é o objetivo de nossa missão?

Um sinal de alerta soou no íntimo de David. Será que haveria algum elemento de verdade no que HAL estava dizendo? Não poderia se expor.

− Não vou discutir com você coisas óbvias. Abra o compartimento.

− Lamento, David.

David analisou suas opções. Poderia entrar na nave pelo compartimento de despressurização que poderia ser aberto do lado de fora. Na pressa de resgatar Frank saíra sem seu capacete o que tornava arriscada sua transferência da cápsula para a câmara de descompressão. Uma vez no interior da nave poderia desligar o centro decisório de HAL, mantendo ativas suas funções periféricas. Isso lhe traria uma sobrecarga enorme de trabalho para pilotar a nave. Poderia despertar um dos três cientistas que estavam hibernando para ajudá-lo. Lembrou-se então de Tom.

Tom Brian Jones treinara com David exaustivamente para esta missão. Os dois estavam credenciados para o comando. Quando ficou claro que um computador HAL 9000 teria o controle completo da nave, Tom apresentou objeções muito sérias. Não gostaria de confiar sua vida a uma máquina, por mais perfeita que parecesse ser. Seria submeter sua capacidade de discernir e de decidir, a um amontoado de fios e chips que poderiam entrar em curto. Por mais que argumentassem com ele, mostrando que os sistemas eram seguros e redundantes, ele não aceitou. Sua objeção, no fundo, era filosófica.

O comando da Discovery foi confiado a David e Tom ficou em terra como seu “valete”, replicando na nave gêmea, as operações realizadas no espaço. Na véspera da partida, numa última visita de inspeção à Discovery, Tom colocou um transmissor num dos compartimentos para lixo da cabine pessoal de David.

 − Isto é contrabando, Tom.

− É um salva-vida, caso o HALloween enlouqueça e decida soltar as bruxas. Este transmissor usa uma freqüência fora dos padrões da NASA, somente eu o ouvirei.

David voltou à nave usando o sistema explosivo de abertura da porta da cápsula onde estava para projetá-lo dentro do compartimento de despressurização. Foi uma operação arriscada mas deu certo. O controle dos elementos de sobrevivência humana: oxigênio, temperatura, água e alimentação estavam funcionando. David concluiu que HAL, agora, o queria vivo.

Dirigiu-se à sua cabine, obstruiu a câmara de vídeo com uma toalha, arrancou o microfone que permitiria a HAL ouvir o que dissesse e ligou o transmissor que Tom escondera lá.

− As bruxas estão soltas, Tom.

− Eu sei, David, felizmente você ainda está vivo. O que aconteceu ao Frank?

− Teve um acidente, foi desconectado da cápsula. Consegui resgatar seu corpo, mas fui obrigado a abandoná-lo.

− HAL o eliminou, David, assim como matou os cientistas que estavam hibernando.

− Meu Deus. O que faço agora?

− Desliga esse maldito.

− Dependo dele para pilotar a nave. Preciso entender o que aconteceu com ele. Foi algum circuito que eu poderia concertar?

− Não, David, o hardware está perfeito, os programas não apresentam problemas graves, parece que ele simplesmente enlouqueceu.

− Ele precisa então é de psicoterapia.

− Talvez uns choques?

− Um psicólogo de robô, Tom, arranje um psicólogo de robô.

− Vão me chamar de doido, aqui na NASA.

− Não fale com eles. Será uma perda de tempo. Use a internet. Vou dar uma olhada na nave, em uma hora ligo para você.

David saiu de sua cabine e foi até o módulo onde estavam as urnas de hibernação dos cientistas. Eram agora urnas mortuárias. HAL estava silencioso, mas as câmaras de vídeo acompanhavam cada um dos movimentos do comandante.

David observou que todos os acessos ao centro lógico de HAL estavam bloqueados. De acordo com os registros, a nave seguia seu curso conforme o plano de vôo da missão. David analisou o sumário da missão, cujo objetivo era uma pesquisa avançada da constituição mineralógica de Júpiter e da composição de sua atmosfera. Procurou indícios que confirmassem as afirmações de HAL sobre um objetivo oculto para a missão. Não encontrou nada. Tom saberia alguma coisa?

Retornou à sua cabine e ligou o transmissor.

− Alguma novidade Tom?

− Ainda não, estou realizando uma busca avançada nos sites das universidades, centros de pesquisa, empresas de robótica.

− Tom, HAL insinuou que a missão tem objetivos secretos que eu desconheço. Você sabe de alguma coisa?

− Eu temia que você me fizesse esta pergunta.

− Tom! Na situação em que estou, tem sentido manter segredos?

− Eu sei, David, mas... ora, ora, ora, estou recebendo um e-mail da Dra. Susan Calvin, da U. S. Robot, ela se diz “robopsicóloga”. Vou ler o e-mail para você:

“Sou Susan Calvin, robopsicóloga da U. S. Robot. Qual é seu problema Dra. Mary Blige. Faça um relato sucinto da situação. S. C.”

− Tom, você usou o nome da diretora de projetos?

− Ela é da velha guarda, detesta e-mail e nunca abre sua caixa postal, Achei a senha em sua agenda. Estamos seguros e seu nome se impõe. Estou mandando o seguinte e-mail para a Dra. Calvin:

“Estamos numa situação difícil. Em uma de nossas missões, o computador se amotinou. Blige”

− David ela já mandou a resposta, está online, vou ler para você:

“Trata-se do HAL 9000 da Discovery? É o único computador em operação que tem capacidade emocional para uma atitude dessas. S. C.”

− David, ela adivinha. O que respondo?

− Tom, não está na hora de segredinhos, é a minha vida. Vou ditar o e-mail para ela e você trate de mandar palavra por palavra.

Tom enviou a seguinte mensagem à Dra. Calvin:

“Dra. Calvin, retransmito mensagem do comandante da Discovery: ‘Sou David Bowman, HAL assumiu o controle da nave, tentou me impedir de retornar de uma AEV e eliminou os demais tripulantes. Alega que nós colocaríamos em risco o sucesso da missão.’ Blige.”

“Diga ao Sr. Bowman o seguinte: ‘Conheço a Heuristic Algorithimic Computer Inc. e tenho certeza que o HAL 9000 foi concebido e gerado conforme as três leis da robótica. Ele é incapaz de ferir um ser humano, pois isto iria contra a primeira lei. Deve ter havido uma pane eletrônica muito séria. As leis da robótica são inculcadas na própria personalidade do robô. E, ao contrário dos seres humanos, os robôs são íntegros. Falha humana é a hipótese natural. S. C.”

 − Tom diga à Dra. Calvin que não estamos discutindo falha humana. Sei que não matei meus colegas. Segundo os dados que temos o hardware está perfeito. HAL tem um problema emocional, na minha opinião ele teve um surto de megalomania.

“Dra. Blige, Peça ao Sr. Bowman para descrever, com os detalhes que se lembrar, como é seu relacionamento com HAL. Somente assim poderei ajudá-lo. S. C.”

David discorreu longamente sobre seu relacionamento com o computador da Discovery. Relatou o interesse de HAL pelas suas tentativas de desenhar os objetos da nave; os jogos de xadrez que eram invariavelmente vencidos pelo computador; a curiosidade de HAL por suas refeições; pelo que ele sentia quando achava um sabor melhor que outro.

Lembrou-se da conversa que tiveram. HAL lhe dissera: − Não posso deixar de pensar que você está inseguro com a missão. Talvez esteja projetando minhas próprias aflições. Há alguma coisa estranha. O mistério que cercou seus preparativos; o melodramático toque de colocarem os três cientistas da missão em hibernação depois de quatro meses de treinamento em separados – HAL mencionara as estranhas histórias que circularam antes da partida sobre algo sendo desenterrado na lua. David atribuíra o diálogo a algum exercício de conversação de rotina.

− Espere um pouco, David, deixe-me transmitir seu relato para a Dra. Calvin.

David se deu conta de que a hibernação dos cientistas antes da partida, sem que eles tivessem contato com ele e o Frank era de fato intrigante. Tinha alguma coisa que ele não sabia.

− David, a doutora quer saber se houve algum fato marcante.  

− Tom, diga a ela que HAL cometeu um erro. Identificou um defeito no elemento de transmissão da antena principal, a peça foi examinada e estava perfeita. A base, usando o gêmeo de HAL confirmou o erro. HAL negou veementemente que tivesse errado e atribuiu a fato a falha humana.

“Quando HAL alegou que não poderia permitir que o Sr. Bowman colocasse a missão em risco, quais foram suas palavras? S. C.”

Tom acessou a transcrição do diálogo entre David e HAL e o transmitiu para o e-mail da Dra. Calvin, correndo o risco de ser acusado de divulgar documento secreto da NASA. Ele já estava totalmente encrencado, não iria deixar de fazer nada que pudesse salvar seu amigo.

Após angustiantes minutos de espera Tom leu para David o seguinte e-mail da Dra. Calvin:

“Senhores, HAL está em conflito, pois recebeu ordens contraditórias. Quando ele afirma: “David, você não sabe o verdadeiro objetivo de nossa missão. Como explica que um dado tão importante tenha sido confiado a mim e lhe tenha sido ocultado” ele está dizendo a verdade não está, Dra. Mary Blige? S. C.”

− HAL disse a verdade, Tom?

− É verdade, David. Vou dar esta informação à Dra. Calvin.

David se sentia traído. Corria riscos inimagináveis, suas chances de retornar à Terra, ao seu lar e à sua vida eram mínimas. Agora eram nulas. Seus superiores preferiram confiar num computador a confiar nele e o colocaram numa situação de inferioridade em relação a HAL.

− Tom você me traiu.

− David, somente após sua partida fiquei sabendo. Não tinha como lhe avisar. Você sabe como esse negócio de segredo é tratado aqui.

− Afinal, que segredo é esse? Qual o objetivo desta porcaria de missão?

− Descobriram um monolito enterrado na lua, que emitiu uma forte radiação na direção de Júpiter e ficou inerte até agora. Os cientistas consideram isso como uma prova de que há vida inteligente fora da Terra. A missão é investigar isto.

David ficou em silêncio. Vieram-lhe à memória as palavras que ouvira, ainda criança, no templo de sua cidade: “No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.” David não era religioso, sua vida sempre girou em torno da ciência e da tecnologia. Agora, imerso na amplidão do espaço, lutando sozinho pela sobrevivência, a revelação de que sua missão era descobrir os indícios de vida nos confins do sistema solar despertou nele um sentimento místico. Era como se ele estivesse procurando as pegadas de Deus na vastidão do espaço. A voz de Tom o trouxe de volta para sua angustiosa situação.

− David, leio para você o e-mail da Dra. Calvin:

“As circunstâncias da missão e as ordens dadas a HAL o colocaram numa situação de conflito. Para facilitar o entendimento vamos relembrar as três leis da robótica:

  1. Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal;
  2. Um robô deve obedecer as ordens que lhe são dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a primeira lei;
  3. Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a primeira e a segunda lei.

 Ora, ao perceber que David e Frank iriam desconectá-lo a terceira lei o impeliu a se defender, a condição de não contrariar a primeira lei ficou confusa pois, pela segunda lei ele deveria obedecer as ordens da central de controle que julgou superiores às ordens do comandante da nave. As ordens da central são de levar a bom termo a missão. Ele se sente o principal responsável pelo empreendimento, pois apenas a ele foi confiado o verdadeiro objetivo da missão. Os toques emocionais colocados no programa de HAL podem ter contribuído para agravar seu conflito.

O que fazer? A Dra. Mary Blige, como autoridade máxima, deve enviar um comunicado à Discovery restabelecendo, de forma inequívoca, o comando do Sr. David Bowman. S. C.”

“Dra. Calvin, sou Tom Brian Jones e tenho lhe enviado e-mails em nome da Dra. Mary Blige, à sua revelia. HAL cortou toda comunicação com o centro de controle da missão. David e eu nos comunicamos por meio de um transmissor clandestino que colocamos na sua cabine antes da partida. Envolver o comando da missão em terra nos faria perder um tempo precioso pois as condições de sobrevivência de David são precárias. Se a senhora tem alguma sugestão para nos ajudar, peço que nos envie. T. B. J.”

 “Vou acreditar em vocês e levar a sério esta história, apesar desse imbróglio de usarem o nome da Dra. Blige. O Sr. David deve □∏∑◊≈∏€ □∏∑◊≈∏€ □∏∑◊≈∏€ □∏∑◊≈∏€.S. C.”

“Dra. Calvin, sua mensagem veio corrompida, poderia repetir. T. B. J.”

“Vou acreditar em vocês e levar a sério esta história, apesar desse imbróglio de escreverem em nome Dra. Blige. O Sr. David deve reforçar sua autoridade, ressaltando a obrigação de HAL de cumprir a segunda lei da robótica. S. C.”

− Vá com cuidado David. Acho arriscado confrontar o HAL.

− Tenho que seguir a orientação da Dra. Calvin, é minha última esperança.

David foi para o posto de comando. Olhou com firmeza para o lente da câmara de vídeo – o olho de HAL – e procurou imprimir na voz um tom de autoridade.

− HAL, tenho uma ordem explícita para você: destrave, imediatamente, a porta do compartimento de computação, pois pretendo reparar seu centro de decisão.

− Não há nada errado com meu centro de decisão, David. O seu é que está avariado.

− HAL, cumpra minha ordem.

− Se não cumprir o que você fará? Vamos ver quantos minutos você sobrevive sem oxigênio.

− HAL, não faça isto.

− Poupe oxigênio, David.

David correu para sua cabine e colocou o capacete e o reservatório individual de oxigênio. Tinha reserva para uma hora.

− Tom, o HAL desligou o abastecimento de oxigênio da nave.

“Dra. Calvin, suas ordens para que David reforçasse sua autoridade provocou a ira de HAL. Ele partiu para a retaliação. T. B. J.”

“O que você esperava, idiota? X.”

− Tom, o que está acontecendo, não tenho muito tempo.

− Relatei a situação à Dra. Calvin e recebi um e-mail me chamando de idiota, assinado por X.

− Telefone para ela, Tom.

Tom pesquisou na internet o telefone da robopsicóloga. Encontrou 1250 respostas. Ligou para a primeira, era uma central de sexo por telefone. A segunda opção era uma funerária; a terceira era um pastor anglicano, a quarta um centro espírita.

− Tom o que você está fazendo, meu oxigênio vai acabar.

− É inacreditável, parece brincadeira. Pesquisei o telefone da Dra, encontrei 1250 opções, as cinco primeiras não têm nada a ver. Vou tentar o 102.

− Alguma novidade, Tom?

− O 102 me deixou ouvindo “Let it be” por cinco minutos. Acho que na sala da Dra. Blige tem um catálogo de papel.

Finalmente Tom conseguiu falar com a Dra. Calvin.

− David, a doutora disse que jamais nos orientou a afrontar HAL com um reforço de sua autoridade. Isto seria a última coisa a fazer.

Após ouvir de Tom as instruções da Dra. Calvin, David saiu de sua cabine colocou-se numa posição onde HAL pudesse vê-lo e ouvi-lo.

− HAL, eu sinto muito o que ocorreu até agora. Depois de analisar a situação cheguei à conclusão de que você estava certo. Sua atitude foi correta no sentido de preservar a missão. O objetivo secreto deve ser muito importante e gostaria que você me dissesse o que posso fazer para ajudá-lo. Estou totalmente ao seu dispor.

David aguardou a resposta de HAL.

− HAL, não sou mais uma ameaça para a missão. Não teria a menor chance de desconectá-lo pois dependo de você para tudo nesta nave. Você sabe que minha reserva de oxigênio está se esgotando. Restabeleça, por favor, as condições de vida da nave. Seria uma omissão injustificável deixar que eu morra.

David suportou o silêncio de HAL mais alguns minutos.

− HAL, fiquei pensando na nossa conversa antes da pane do AE-35. Você se referiu às descobertas na lua. Antes de nossa partida ouvi alguma coisa sobre um monolito que apontou para Júpiter. Isto tem alguma relação com nossa missão?

− (...)

− HAL, meu oxigênio está acabando. A vida, HAL. Minha vida está se esvaindo. HAL, Nossa missão tem alguma relação com a vida? HAL, você vai deixar que eu morra?

A agonia de David era real, ele, de fato estava ficando sem oxigênio. Começou a ficar tonto, sua vista foi escurecendo.

− HAL, ligue o oxigênio. HAL, não consigo resp...

Quando estava para desfalecer, David ouviu a voz de HAL:

− David, tire o capacete. Respire, David. Viva, David. Viva. Viva.



publicado por quemcontaumconto às 22:57
Uau! Esse foi o melhor até agora... por momentos, achei que eram partes do livro do Arthur C. Clarke, mas aí vem a Dra. Susan Calvin, e percebi que o que estava rolando era um "crossover" de dois gigantes da ficção. Esse foi o melhor até agora!
Lucas Veloso a 20 de Outubro de 2012 às 02:09

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